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Filme : Shiki Oriori

Foto do escritor: Bianca VicenteBianca Vicente


Shiki Oriori é uma coletânea de três curtas, cada um se passando em uma cidade diferente da China


O primeiro deles : Macarrão de Arroz

Aqui nós conhecemos Xiao Ming, de Pequim. O curta todo é marcado por memórias dele com o macarrão, enquanto vemos o avançar de sua vida, com o prato sempre presente nas diferentes fases de seu amadurecimento.


Parece besta mas é uma ideia interessante — ver as diferentes fases da vida de alguém através de um viés mundano e pequeno, como um prato de macarrão.

Vemos o macarrão que ele comia quando criança, enquanto ficava na casa de sua avó, o que ele almoçava, na loja perto de sua escola, durante o ensino médio, e o que ele come atualmente, na metrópole onde mora, em uma loja de franquia, extremamente industrial.


É interessante ver o viés nostálgico deste segmento, e como os pequenos momentos são o que realmente marcam nossas memórias, como o fato de sua avó comprar o macarrão na mesma loja todas as tardes para que ele jantasse, ou como todas as vezes enquanto estava almoçando antes de ir para o colégio, a menina de quem ele gostava passava por ele de bicicleta.


É até interessante notar como os pratos foram mudando e ficando mais enlatados a medida que o tempo foi passando, perdendo o sabor da infância. Inicialmente o estabelecimento que vendia macarrão em sua cidade era caseiro, mantido por uma família que utilizava de ingredientes frescos e naturais, depois, na cantina perto de sua escola, o macarrão era industrializado, comprados do mercado, mas o resto dos ingredientes continuava sendo caseiro, e o estabelecimento era, mais uma vez, mantido por um casal. Tudo isso até chegar em Pequim, e sua franquia industrial.

Dá para fazer um paralelo sobre os diferentes tipos de macarrão e o avançar da vida, com o sabor e a essência indo se perdendo à medida que saímos da infância para a vida adulta.

O próximo é : Nosso Pequeno Desfile de Moda



Esse segundo segmento nós conhecemos Lin, uma modelo que mora com sua irmã após seus pais falecerem, e tem que trabalhar para sustentá-la. Com alguns anos de carreira nas costas, Yi Lin começa a se questionar se aquele ramo ainda é para ela, a medida que concorrentes mais jovens vão tomando seus holofotes.

E nesse processo acaba negligenciando a irmã mais nova que está dando o seu melhor para entrar no universo da moda como estilista.

Terceiro e último : Amor em Shangai


Limo, Xiao Yu e Pan são melhores amigos durante o ensino fundamental, e todos moram em Xangai, no ano de 2000. Limo e Xiao Yu são apaixonados um pelo outro, e costumam trocar fitas cassete entre si, onde se gravam falando sobre suas vidas um para o outro.


Quando chega a hora de prestar às provas para tentar ingressar nas escolas do ensino médio, Xiao Yu diz a seus amigos que irá prestar para uma escola de elite, em outra cidade. Limo fica arrasado, não querendo perder a garota de quem ele gosta, e decide prestar para a mesma escola. Em 2008, já adulto, Limo perdeu totalmente o contato com Xiao Yu, mas, enquanto arruma as caixas para sua mudança, ele encontra uma fita que a menina havia gravado no dia antes das provas, que ele nunca tinha ouvido, e começa a procurar por um tocador de fita cassete, já totalmente obsoleto, para que finalmente possa ouvir o que sua amiga lhe disse oito anos atrás.

Acima de tudo, Amor em Xangai consegue construir perfeitamente a essência da juventude e da adolescência, trazendo a nostalgia que esses anos trazem quando refletimos sobre os mesmos depois de crescidos. A leveza, o descompromisso, o medo do futuro, e a incerteza sobre os próprios sentimentos.

O filme consegue perfeitamente brincar com a perspectiva de tempo, trazendo elementos do passado para capitalizar em cima da nostalgia da adolescência, ao mesmo tempo em que consegue utilizar desses elementos de forma bem significativa para a história.

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